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O sol intenso queimou por três vezes as costas e a face de escravos, mercadores, viajantes e peregrinos, além daqueles na caravana que ainda não haviam sido vistos. Queimou de igual modo à todos. – Fez ver, Sávio. Foi quando de longe, pôde-se ver entre um vale uma pequena manchinha cinza tremulante, que de mais perto se viu como uma pequena vila. Um bom entreposto para carregarem-se de água, mantimentos, tomarem banho, pernoitarem, alimentarem e substituÃrem algum escravo. Percebendo isso, Sávio uniu forças com Pangloss e juntos tiveram secretamente uma conversa com aqueles que também falavam espanhol. Para que se apressassem em aprender a entender o idioma daqueles que os tinham sob cativeiro e trabalho forçado. Isto lhes ajudaria a descobrir uma maneira de perderem-se entre os locais, livrando-se assim da sujeição. Mas por mais que conversassem e mais sistemas elaborassem, não conseguiram sequer decidir qual era o idioma que precisavam falar. Quando já era possÃvel ouvir do barulho da vila, as conversas simultâneas de todas as pessoas formando um barulho contÃnuo, com igual intensidade e entonação. Deram por si que o tempo de planejar havia acabado. Aquele idioma talvez tivera sido separado do espanhol muito no inÃcio, no princÃpio da diferenciação da fala. -Não tem medo do que pode acontecer? - Perguntou Sávio para Pangloss.
-Tive medo de sentir-me queimando, de ver-me, lentamente assado, ter minha visão escurecendo e meus sentidos se apagando no momento em que tirassem o banco em que me apoiava e a corda, o nó e meu próprio peso, juntos quebrassem meu pescoço. Depois disso quase fui autopsiado vivo e para negociar minha vida, abri mão da minha liberdade. O tempo de medo passou, agora é tempo de expectativa e de esperança.
Sávio achou que Pangloss raciocinara muitÃssimo bem e também como ele, preferiu esperar que acontecimentos lhe dessem oportunidades para se por em liberdade.
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