Sávio da Antuérpia - Parte 9 Imprimir E-mail
Blogue - Narrativas
Escrito por Gustavo Costa de Oliveira   
Sáb, 27 de Fevereiro de 2010 03:36

O sol intenso queimou por três vezes as costas e a face de escravos, mercadores, viajantes e peregrinos, além daqueles na caravana que ainda não haviam sido vistos. Queimou de igual modo à todos. – Fez ver, Sávio.

Foi quando de longe, pôde-se ver entre um vale uma pequena manchinha cinza tremulante, que de mais perto se viu como uma pequena vila. Um bom entreposto para carregarem-se de água, mantimentos, tomarem banho, pernoitarem, alimentarem e substituírem algum escravo.

Percebendo isso, Sávio uniu forças com Pangloss e juntos tiveram secretamente uma conversa com aqueles que também falavam espanhol. Para que se apressassem em aprender a entender o idioma daqueles que os tinham sob cativeiro e trabalho forçado. Isto lhes ajudaria a descobrir uma maneira de perderem-se entre os locais, livrando-se assim da sujeição.

Mas por mais que conversassem e mais sistemas elaborassem, não conseguiram sequer decidir qual era o idioma que precisavam falar.

Quando já era possível ouvir do barulho da vila, as conversas simultâneas de todas as pessoas formando um barulho contínuo, com igual intensidade e entonação. Deram por si que o tempo de planejar havia acabado. Aquele idioma talvez tivera sido separado do espanhol muito no início, no princípio da diferenciação da fala.

-Não tem medo do que pode acontecer? - Perguntou Sávio para Pangloss.

-Tive medo de sentir-me queimando, de ver-me, lentamente assado, ter minha visão escurecendo e meus sentidos se apagando no momento em que tirassem o banco em que me apoiava e a corda, o nó e meu próprio peso, juntos quebrassem meu pescoço.

Depois disso quase fui autopsiado vivo e para negociar minha vida, abri mão da minha liberdade. O tempo de medo passou, agora é tempo de expectativa e de esperança.

Sávio achou que Pangloss raciocinara muitíssimo bem e também como ele, preferiu esperar que acontecimentos lhe dessem oportunidades para se por em liberdade.


 
Sávio da Antuérpia - Parte 8 Imprimir E-mail
Blogue - Narrativas
Escrito por Gustavo Costa de Oliveira   
Seg, 08 de Fevereiro de 2010 00:35

Tanto Pangloss de Zandvoorte, quanto este prisioneiro, de nome Ankoma, tinham muitas graça aos olhos de Sávio, que estava fascinado de estar entre pessoas que viveram tantas aventuras. Via ali motivo pra ocupar muitas horas contando e ouvindo histórias:

- É isto que vos digo, companheiros: Um mal menor é uma espécie de bem, de igual modo um bem menor pode ser também uma espécie de mal.
Mais importante do que discernir entre bem e mal é o encadeamento dos fatos. Assim as circunstâncias mais miseráveis são boas se nos levam até outras melhores do que estas.


 
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