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Blogue -
Narrativas
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Escrito por Gustavo Costa de Oliveira
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Seg, 08 de Fevereiro de 2010 00:35 |
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Tanto Pangloss de Zandvoorte, quanto este prisioneiro, de nome Ankoma, tinham muitas graça aos olhos de Sávio, que estava fascinado de estar entre pessoas que viveram tantas aventuras. Via ali motivo pra ocupar muitas horas contando e ouvindo histórias: - É isto que vos digo, companheiros: Um mal menor é uma espécie de bem, de igual modo um bem menor pode ser também uma espécie de mal. Mais importante do que discernir entre bem e mal é o encadeamento dos fatos. Assim as circunstâncias mais miseráveis são boas se nos levam até outras melhores do que estas. Quando Pangloss terminava de rir com Sávio da história de como foi parar ali, Ankoma, que junto com mais um trazia a terceira carroça, também quis contar a sua.
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Narrativas
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Escrito por Gustavo Costa de Oliveira
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Seg, 11 de Janeiro de 2010 22:04 |
Meu pai era um comerciante, fazia mensalmente a rota de Kypros. Comprava gêneros cítricos e os vendia em Madrid por valor até cem vezes maior, sem pagar tributos. - Naquela época todos os impostos eram pagos pelo campesinos, se tudo vêm da terra, era justo que só os agricultores fossem taxados. - Isto, somado a expansão da economia européia e ao crescente desejo dos europeus pelo exotismo, fez com que meu pai se tornasse o homem mais rico da Espanha. - Contava Pangloss.
Ocorreu que certo dia, quando mudávamos de cidade num seu galeão, fomos surpreendidos pela traição de um homem à seu serviço, que fugiu, levando com o barco tudo o que havia dentro. Nos deixando na total miséria. Como meu pai tinha vínculos muito fortes com a aristocracia, deu à uma nobre família belga a tarefa de criar-me e à minha irmã.
- Seu pai ainda vive? - Perguntou o escravo que puxava a terceira carruagem. Ao que Pangloss respondeu: Uma vez tive a impressão de o reconhecer entre a multidão, durante a festa de aniversário de minha irmã.
Dizia eu que fui entregue à uma família da Bélgica de grandes posses. Tendo eu crescido cercado por muitos filósofos, escritores, pintores, músicos, professores e tendo com eles e meus tutores longas ceias e debates diariamente. Aconteceu que quando tinha trinta e um anos deram-me a oportunidade de pagar-lhes tudo que me fora dado, tornando-me preceptor de Filostrato, criança muito amável e herdeiro daquela família.
- E como deixou os banquetes, as ceias, as festas da aristocracia para terminar aqui, prisioneiro, igual a todos nós? - Interrompeu Sávio. Envolvi-me perdidamente pela filha do meu senhor e fui descoberto, junto à outro servo que me acobertara. Ele foi açoitado e eu condenado à queimar em fogo lento.
Mas chovia muito no dia da minha condenação, o que impediu que a fogueira fosse mantida. Como a cidade já havia se preparado para assistir à minha morte, não quiseram adiar minha execução e resolveram enforcar-me. Como à cada um de nós é reservado o melhor mundo entre os possíveis, tive a sorte de o meu carrasco não ser experiente em enforcamentos. A corda, empapada pela chuva, trancou antes que apertasse meu pescoço, percebendo o que acontecera, fingi-me de morto.
Fui descido e deixado à exposição pública, como exemplo para que ninguém fosse ter com alguém de classe diferente da sua. Acabei adormecendo e não sei quanto tempo se passou até ser vendido à três florins de ouro para um médico que planejava estudar meu cadáver.
Já em sua casa, quando ele começava a abrir meu abdômen, eu despertei, assustando à ele e à sua esposa. Mais uma vez D-us foi benevolente comigo e permitiu que este médico me fizesse uma ótima proposta: Ele não me devolveria para ser morto, ao invés disso me venderia como escravo, para que assim eu cobrisse-lhe pelo prejuízo que causei fingindo-me de morto, fato que o fez comprar-me.
- Tem muita sorte por estar aqui. – Observou sabiamente um prisioneiro, que até então ouvia tudo calado.
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